sábado, 1 de março de 2008

Ruína Azul
Esta é uma das primeiras imagens que, interessantemente, eu via no passar de um cômodo para o outro no apartamento, que em fins de semana no centro de Niterói, aberto, "nos" recebia.
Por vezes acontecia D’eu encontrar ainda na cozinha, fechando os inusitados,
saborosos e miraculosos *tupirebas da Madá, as vasilhas, vasilhames, vasilhinhas que, como um cântico ressoavam pela cozinha no abrir e fechar de suas tampas herméticas, plic-ploc, e a cada momento ela me revelava alguma coisa mais diferente, que uma a uma, outro, e outra mas saborosa que a outra, outra, outra doce, outra salgado, curioso, e de repente eram muitas, de repente eram todas, de repente como um silencioso gato, que na cozinha desde o começo me olhava silenciosamente, enigmaticamente, esfíngico, inteligente e eu por segundos eternos me perdia sim, naquele olhar felínico que me interrogava, e com a língua de fora ainda, eu conseguia ouvi-lo dizendo: vc ouviu tudo?vc ainda ta ouvindo? Dai assustadamente retornava eu de um mundo felino e percebia..., o ar gelado da cozinha, a geladeira esteve aberta, já... Agora e neste instante, com a porta da geladeira fechada, com um som abafado no colo, desaparecia. E nos meus ouvidos o som do ronco do motor da Brasília que Jorge dirigia dizia: já fomos!!! E pela janela do quarto, ornado pela cortina de rendas, via, as vezes sozinho, as vezes com uma breve companhia, o olhar seguir e dobrar a esquina, e no fluxo de um centro urbano a fumaça subia do cano de descarga com barulhos, que logo silenciavam.
E nesta trajetória noturna de verões-outonais e invernos-primaveris dos - fins-de-semana, da cozinha pro quarto, pro banheiro pra sala... O desenho me puxava o olhar, porem acrescento: e antes de sair eu ouvia: juízo crianças! E via no olhar... O carinho. Durante muito tempo isso nos acompanhou, e a porta cinza da cozinha do enorme apartamento, lacrava-nos... E para o acampamento sagrado dos fins de semana, longuíssimos, seguia a mãe e o Jorge, o gato, as coisas que nem sei... O carinho ficava! Com sabores e cheiros na geladeira, sim!!! Ela dizia na memória ressonante, e com o olhar felino: aqui tem arroz a lá grega!( para um exercito- pensava eu...) aqui tem saladas, eu pensava (minha nossa!) aqui tem a carne boba, meu Deus! Eu via num colorido... Eram filetes de carne crua temperados. Não!! Temperadíssimos, com ervas, levemente agridoce, e que derretia na boca m a r a v i l h o s a m e n t e, e derretia na boca mesmo.
Bem, isso em instantes de tempo entre eu chegar e saírem, nunca fui de falar muito, serio! Se bem me lembro, aquele movimento me detinha atenção. Dai a noite vinha com suas novidades, vinhos, drinques, conversas, idas, risos, voltas, gente permanente, gente avulsa, jogos de carta, jogos inteligentes, e alguns nem tanto, e que com toda a leitura, idéias, culinária, eu via, percebia, quase despercebidamente, aos poucos... e inocentemente o quadro que na parede se detinha, me atraia como o inseto que ignorantemente pra luz quente e mortal segue atraído, eu, na luz de ignorância tentava na penumbra, ver o lúdico que se revelava aos poucos em caneta bic, descoberta a partir da pergunta ... E acrescentava, fiz antes da prova, sério? eu olhava via e crescia em noites de lual no banheiro que a luz de velas trazia aos meus olhos posto no corredor o desenho.

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